
Uma das novidades da Educação brasileira nas últimas décadas, estabelecida em normativas como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), foi a transformação de temas e conteúdos em análise e relação, em uma perspectiva transversal, voltada ao raciocínio e ao pensamento crítico.
O anterior conteudismo, marcado pela valorização de datas, personagens e fórmulas abstratas, deu lugar a uma abordagem que desenvolve e aplica competências e habilidades a situações-problema. Os dados passaram a ser gerenciados de forma diferente, privilegiando o pensamento sobre a memória de longa duração.
Para o ensino da História, essa mudança foi poderosa. E o componente curricular, visto por muita gente como chato, desinteressante ou desconectado da realidade, passou a revelar o que é de verdade: um campo instigante e vivo, conectado ao tempo presente e às pessoas.
Independência todo dia

Um dos temas “salvos do aborrecimento” foi a Independência do Brasil, que, por décadas, foi resumido em datas, nomes e no famoso “Grito do Ipiranga”, imortalizado na célebre pintura de Pedro Américo. Não há, enfim, quem não lembre da figura de Dom Pedro I em seu cavalo, sabre na mão, cercado de seus “dragões da Independência”...
Mas, o que foi a Independência do Brasil? Como ela começou a ser gerada? Qual sua relação com outros movimentos políticos nas Américas e com as revoluções que ocorriam na Europa? Qual sua relação com Napoleão Bonaparte? Se Dom Pedro I era príncipe de Portugal, como ele acabou se tornando imperador do Brasil? Que grupos econômicos apoiaram a independência e por quê? Qual a relação com a escravidão? Como ela chegou a todo o território nacional de então? E o povo brasileiro, como participou do movimento, de forma ativa ou passiva?
Novos olhares, novo encantamento
Essas são algumas das questões que nascem em uma olhada breve para o episódio histórico. E que, na perspectiva de uma “nova educação”, vêm produzindo trabalhos importantes de pesquisa, em livros, documentários e até em redes sociais que se aproximam da linguagem jornalística para transmitir conhecimento e gerar raciocínio e interesse.
Ao fim e ao cabo, é refrescante e animador saber que a Independência continua tendo muito a ensinar, e que isto acontece porque há pessoas produzindo abordagens novas e ricas. Que, de tão interessantes, compartilham os espaços de sala de aula e de entretenimento, transformando-os em um incrível contínuo de aprendizagem. Vamos conhecer alguns desses trabalhos!
LIVRO – “Às margens do Ipiranga: a viagem da Independência”, Rodrigo Trespach (Editora Citadel, 2024)

Em “Às margens do Ipiranga”, o historiador gaúcho Rodrigo Trespach (laureado com a Ordem do Mérito do Livro, da Biblioteca Nacional, em 2022), parte de um elemento instigante para abordar a Independência: a longa viagem de D. Pedro I e seu grupo do Rio de Janeiro a São Paulo. Uma jornada de 1.400 km por grandes territórios vazios entremeados por vilas que, juntas, não somavam 12 mil habitantes. O que levou o jovem príncipe (24 anos) a fazer essa viagem? Como viajava? O que encontrou pelo caminho? Além de viajar, ele também governou de fato nesse período? Como foi seu encontro com as pessoas comuns? Nessa abordagem, o episódio “épico” da Independência é enriquecido com informações sobre o Brasil de então.
LIVRO – “Passado em Caleidoscópio: versões quadrinizadas da Independência do Brasil”, Raquel França dos Santos Ferreira e colaboradores (Appris, 2024)

Muita gente se lembra de “Independência ou Morte”, filme de 1972 estrelado por Tarcísio Meira – uma atração infalível na grade da tevê aberta nas décadas de 1970 e 1980. A produção trouxe um dado interessante: a Independência era “pop”, e também chegava às pessoas pela indústria cultural. Em “Passado em Caleidoscópio”, Raquel Ferreira (doutora em História pela UFF) e seu time abordam o episódio a partir das histórias em quadrinhos. Como a Independência era contada nessas obras? Como elas ajudaram a fixar a imagem que temos, hoje, de Dom Pedro I e seu papel? E como elas trataram dos brasileiros “esquecidos” – figuras como o carroceiro que aparece lateralmente na tela “Independência ou Morte!”, de Pedro Américo? Uma obra instigante porque “lê as leituras” da Independência.
PODCAST – “Ecos do Ipiranga”, produção do Museu do Ipiranga (da USP) com apresentação de Débora Aladim (2020)

Pesquisas apontam que o Brasil é um dos maiores produtores e consumidores mundiais de podcasts, mídia “herdeira do rádio” e que agrada por ser muito amigável. Nos 10 episódios (de 20 a 30 minutos de duração) de “Ecos do Ipiranga”, os pesquisadores do Museu do Ipiranga/USP revelam a Independência a partir de diferentes enfoques, da análise da pintura de Pedro Américo à relação entre o Brasil livre de Portugal e a escravidão. Com uma linguagem acessível e informações de alta qualidade! Disponível em plataformas como Spotify, Deezer, Apple Podcasts e também no site do Museu do Ipiranga.
PODCAST – “História FM”, episódios 108 e 212, apresentado por Icles Rodrigues

Com mais de 460 mil seguidores no YouTube, o projeto “História FM”, conduzido pelo doutor em História pela UFSC Icles Rodrigues com a participação de especialistas, é provavelmente o mais popular podcast do Brasil voltado à temática histórica. E reservou dois de seus 253 episódios para tratar da Independência: “Independência do Brasil – A história da separação de Brasil de Portugal” (episódio 108) e “Guerra da Independência: os conflitos após o sete de setembro” (episódio 212). Em ambos os episódios – com cerca de 2 horas de duração cada –, os temas são tratados em profundidade. Como no segundo, que derruba o mito de que a Independência foi uma espécie de “batida na mesa” sem resistências, combates ou participação popular.
Todas essas obras – e, com certeza, muitas outras, mais antigas e mais recentes – podem e devem ser conhecidas e comparadas pelos estudantes. E não só por eles! De uma perspectiva da educação como elemento essencial para a construção da realidade, ampliar o conhecimento histórico significa, em um primeiro momento, conhecer a si mesmo. E também abrir novas possibilidades para a vida social, da valorização cultural ao turismo e à sustentabilidade.
06 de agosto de 2026
Novos olhares sobre a Independência do Brasil
Excelente notícia para estudantes, professores e amantes da nossa História: nos últimos anos houve uma popularização dos estudos históricos, com oferta de livros, documentários e podcasts de alta qualidade sobre vários temas. Um exemplo: a Independência do Brasil, que passou a ser lida em uma chave menos conteudista e mais próxima de um olhar crítico. Em um artigo especial, trazemos algumas dessas obras - para gostar de conhecer a História do Brasil!
14 de julho de 2026
A lição que vem com os cães
26 de agosto: “Dia Mundial do Cachorro”. Uma data que mobiliza muita gente para celebrar essa espécie peluda, alegre, inteligente e fiel com que mantemos uma relação única. Aliás, conhecer a nossa parceria com os cães é transitar pela Cultura, História, Biologia, Psicologia e pelo Direito. É educação!
06 de julho de 2026
A linguagem universal da era dos emojis!
Emoji: com certeza, você já usou para sintetizar ou reforçar o sentido de uma mensagem. Afinal, eles são fáceis de usar e muito expressivos. Mas, você sabe o que se esconde atrás dessa genial invenção? É isso que vamos descobrir em mais um artigo especial no blog do Ígnea. Para ler e se assombrar!